Esta semana passei por uma experiência, até certo ponto curiosa. Devido a uma infecção na garganta, estava muito rouca. Quando "tentei" me comunicar com uma turma de 4ª série, onde trabalho com Artes, tive dificuldades. Esta turma é problemática em vários sentidos. São seis meninas e doze meninos, com idades de 9 a 14 anos. Além das dificuldades de aprendizagem, há o problema da indisciplina. Os meninos se xingam, ofendem qualquer pessoa com palavrões, gritam, agridem-se fisicamente, enfim, são muito agitados. Foi impossível dar a minha aula planejada, e então, acabei passando no quadro, um texto para copiarem. No momento da cópia, o silêncio se fez presente. Quando relatei à professora regente desta turma, como foi a aula, descobri que gostam de fazer cópia.Na manhã seguinte, a voz praticamente desapareceu, mas foi possível trabalhar com os meus alunos do 1º ano. A maioria dos vinte alunos presentes, colaborou como pode. Escrevi no quadro o que faríamos inicialmente. A ordem foi lida por uma aluna que já sabe ler. Quando precisava me comunicar com eles, sussurrava no ouvido de uma criança, que transmitia aos colegas, os meus recados. A todo o momento, as crianças pediam silêncio e até chamavam a atenção daqueles mais inquietos, e dos mais distraídos. Em vários momentos procurei fazer gestos para me fazer entender. Horas funcionavam, horas não. Gesticulei para fazerem fila, gesticulei para dizer que íamos ao refeitório, gesticulei para fazerem a cópia do quadro em seus cadernos...
Como me lembrei da LIBRAS!!! Que beleza que existe esta língua de sinais! Claro que, se eu soubesse me comunicar através da LIBRAS, precisaria me dirigir a uma "platéia" que também usasse essa forma de expressão.
A comunicação pode ser feita de várias formas, basta usarmos a nossa sensibilidade, a nossa intuição, o nosso bom senso. Como costumo dialogar com meus alunos, acredito que me souberam "interpretar" corretamente, porque a convivência diária, possibilita uma aproximação maior, não só física, mas principalmente afetiva. São formados laços tão fortes, que os alunos acabam entendendo a proposta do trabalho, pois, acostumados à uma certa rotina, ou seja, à uma organização pré-estabelecida, eles têm facilidade de assimilar diferentes práticas.
Assim como no filme "O menino selvagem", assistido para a realização de uma atividade na Interdisciplina de LIBRAS, houve uma resposta positiva ao tratamento de Victor, o menino selvagem, também obtive com meus alunos, respostas adequadas,que correspondem aos seus conhecimentos.
Quando somos desafiados, somos induzidos a fazer grandes e importantes reflexões, que podem nos guiar rumo ao sucesso.
Uma outra observação: como eu só sussurrava, os alunos acabaram imitando a minha prática. Com certeza, as crianças com esta idade, de 6 a 7 anos, conseguem se adaptar rapidamente, porque estão mais suscetíveis à mudanças.
Nenhum comentário:
Postar um comentário