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domingo, 21 de junho de 2009

EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ

Em Filosofia da Educação tivemos que interpretar o ensaio do filósofo alemão Theodor Adorno (1903 - 1969) intitulado “Educação após Auschwitz”, que começa com a seguinte frase, expressão de um princípio moral: “Para a educação, a exigência que Auschwitz não se repita é primordial”.

É um texto que alinha moralidade, política e educação a partir deste evento terrível do século XX: o Holocausto. Para analisar este ensaio escrevemos um texto sintético respondendo às seguintes questões:

1) Segundo o texto, o que predispôs os indivíduos a aceitarem o nazismo e a barbárie?

2) Qual é a solução que o autor sugere para evitar que a barbárie se repita?

3) Dê a sua opinião argumentada sobre a referida solução.


INTERPRETAÇÃO DO ENSAIO DO FILÓSOFO ALEMÃO THEODOR ADORNO, INTITULADO “EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ”

Fernanda Beatriz Silva dos Santos

Para Theodor Adorno a educação é um instrumento de formação de pessoas, capaz de proporcionar a auto-reflexão crítica.

Porém, durante o terrível evento do século XX, o Holocausto, a capacidade de refletir sobre as monstruosidades cometidas, era nula. A tendência extremamente poderosa da sociedade abafava qualquer tipo de manifestação contrária as suas atrocidades, permitindo então o aparecimento de uma verdadeira indústria de extermínio.

A humanidade sentindo-se enclausurada em um contexto mais e mais socializado, densamente estruturado, acaba sendo impedida de agir por conta própria. Assim a raiva contra a civilização aumenta de forma brutal e irracional.

Os indivíduos acabam aceitando a barbárie, pois perdem sua identidade e sua capacidade de resistência, praticando os mesmos atos insanos, em nome de quaisquer ideais, nos quais nem precisam acreditar. Homens sem preparo psicológico para a autodeterminação, mas com um forte potencial autoritário, continuarão dizimar populações inteiras.

A aceitação ao nazismo também foi favorecida pela pretensão de que na educação, a disciplina é idealizada através da dureza, ou seja, é através de rituais que causam dor, que o indivíduo é “premiado” por pertencer a uma coletividade.

Indivíduos manipulados também negam no seu íntimo a possibilidade de amar pessoas, mas o que ainda sobrevive nelas é a capacidade de amar coisas materiais. A incapacidade de identificação, a incapacidade de amar suficientemente, foi a principal condição psicológica para que algo como Auschwitz pudesse acontecer.

Para evitar que a barbárie se repita, Adorno sugere:

*conhecer os mecanismos que tornam os homens perseguidores e promover entre eles uma conscientização geral desses mecanismos;

*educar para a auto-reflexão crítica desde a primeira infância;

*favorecer a autonomia, a força para a reflexão, para a autodeterminação, para a não-participação;

* estudar o consciente e o subconsciente da população (formação de grupos educacionais e equipes de voluntários para percorrerem as áreas rurais);

*disciplinar através do esporte;

*entender como se reproduz o caráter manipulativo, para depois pela modificação das condições, evitar o seu reaparecimento;

*tratar bem as crianças, não reprimir seus impulsos, mas sim satisfazê-los e liberá-los.

Com certeza, todas as afirmativas de Adorno, para a referida solução, são pertinentes, porém só poderão ser utilizadas, debatidas ou estudadas, se toda a sociedade conscientizar-se de que tudo o que houve em Auschiwtz foi praticado pela “inteligência” humana, e se somos capazes de duelar entre nós mesmos por não tolerarmos a diversidade racial e cultural, também precisamos usar a nossa força para evitar qualquer tipo de situação abominável e inconcebível.

Tais atitudes planejadas racionalmente, não condizem com tal circunstância! Como se pratica algo que foi planejado racionalmente, se o resultado de tal ação é o sofrimento em massa?

Ainda hoje, o homem busca seu próprio interesse e vai contra os interesses de todos os demais. A individualidade se opõe ao amor que é imediatista, e sendo assim, o “consciente coisificado” se instala naturalmente.

Qualquer tipo de barbárie pode ser evitada mais facilmente se as pessoas, unidas em equipes, somarem suas forças, lutarem por um bem comum.

Na escola podemos e devemos propiciar aos nossos alunos um ambiente onde a sensibilidade, a criatividade, a cooperação, o diálogo, sejam facilitadores de aprendizagens múltiplas, e onde as relações interpessoais favoreçam a valorizaçães interpessoais favoreçam a valorizaçgens msos alunos um ambiente onde a sensibilidade, a criatividade, a cooperaço das diferenças e o resgate das identidades perdidas.

Para que Auschiwtz não se repita, a sociedade como um todo deve refletir criticamente e filosoficamente, a fim de impedir que atrocidades aconteçam e que apareçam perseguidores “fortes”, “superiores”, capazes de criar possibilidades de novos acontecimentos dantescos.


THEODOR ADORNO (1903 - 1969)

REFERÊNCIAS

ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz.

FILME: O CLUBE DO IMPERADOR

Como atividade na Interdisciplina Filosofia da Educação, tivemos que assistir ao filme "O Clube do Imperador" e escrever um texto de acordo com o seguinte roteiro:

1. Descreva uma cena do filme onde o professor está diante de um conflito moral.
2. Descreva o conflito moral e a solução que o professor escolhe.
3. Identifique os princípios morais envolvidos nesta decisão.
4. Avalie a decisão do professor: foi uma decisão moralmente correta ou não, por quê?

FILME ASSISTIDO: “O CLUBE DO IMPERADOR”

TEXTO

Fernanda Beatriz Silva dos Santos

O filme “O Clube do Imperador”, conta a história do colégio interno St. Benedict’s, freqüentado por rapazes da alta sociedade americana, onde leciona William Hundert , um conceituado professor, apaixonado pela História Antiga. Nesse ambiente, Hundert não se preocupa somente com a educação dos alunos, mas também com o caráter, a boa conduta e a honra. Dá lições de moral para serem aprendidas, e faz isso através do estudo de filósofos gregos e romanos.

Todo o ano acontece no colégio, a clássica competição cultural, organizada por Hundert, intitulada o “Clube do Imperador”. A competição consiste numa disputa entre os alunos da classe, onde primeiramente realizam provas escritas, e numa segunda etapa, respondendo às perguntas oralmente.

Na turma do professor Hundert, seus alunos são muito promissores, o que o anima a realizar um trabalho de qualidade. Porém, com a chegada de Sedgewick Bell, um aluno arrogante e prepotente, filho de um senador, o professor busca a mudança do caráter do mesmo e procura ganhar a sua confiança, convencendo-o que ele é capaz.

Para a competição, apenas só os três melhores alunos podiam participar da grande final.

Quando o professor, em seu escritório, passa a corrigir as produções de seus alunos, com questões relativas à História Greco-Romana, fica em dúvida na hora de dar a nota ao aluno Bell, pois acreditou que este seria o momento de recompensá-lo. Apesar de seu desinteresse, mas admitindo sua inteligência, o professor apostava que o futuro do rapaz seria brilhante. Eis que o professor se vê diante de um conflito moral.

A dúvida deu lugar então a uma certeza: alterar a nota de Bell, para que assim ficasse entre os três melhores. O professor queria colocar este aluno no caminho certo, porém ao dar esta chance, abalou-se de uma certa forma, ao excluir da competição um aluno dedicado que poderia ser aclamado o “Senhor Júlio César”. Neste momento, o professor praticamente esqueceu-se de sua conduta ética.

Ao tomar esta decisão, a frase dita regularmente pelo professor “o caráter de um homem é o seu destino”, não pode ser atribuída a ele, pois agora, na prática, o seu próprio caráter se comprometeu, visto que, a injustiça, a honestidade, a ética, a dignidade, a fidelidade, são princípios morais que sempre foram primordiais em todos os aspectos da sua vida.

A decisão tomada pelo professor não foi moralmente correta, porque ao dar uma oportunidade a um aluno desinteressado e rebelde, negligenciou uma atitude ética, pois negou ao verdadeiro vencedor, os louros da vitória. Ele foi contra os seus princípios, forjando uma classificação no concurso. Ele desviou-se de seu caráter reto, e percebendo que não conseguia mudar o caráter do aluno, desencadeou-se um conflito interno, sobre o que é certo e o que é errado.

Apesar de ter passado por duas grandes decepções, o professor continuou sua jornada lecionando com amor e ciente de que qualquer pessoa pode aprimorar o seu caráter, se estiver convivendo com pessoas justas e íntegras, na escola e principalmente na família.

Acredito também, que nós educadores, podemos sim cair na mesma armadilha em que caiu o professor Hunder. Tentamos acertar sempre, mas como somos frágeis criaturas em constantes transformações, nada é mais natural do que continuar tentando e errando, tentando e tentando, tentando e acertando...

Ficamos conhecendo a estrutura básica do argumento moral, através do Dilema do Antropólogo Francês, Claude Lee, e à partir deste conhecimento, analisamos os aspectos envolvidos nas decisões do professor William Hudert.

sábado, 18 de abril de 2009

O DILEMA DO ANTROPÓLOGO FRANCÊS - PARTE 2

Como próxima tarefa do fórum de Filosofia da Educação, o meu grupo teve que REFUTAR os argumentos de um grupo oposto, elaborando novos argumentos para DEFENDER a decisão do antropólogo.

Argumentos do grupo oposto:
Temos a convicção que uma mentira seguida de outra: primeiro em mentir para os nativos que ele era o mensageiro dos deuses e a partir dessa mentira, veio outra pior de que todos os homens brancos são mensageiros dos deuses. Com essa concordância ele não legitimou a crença daquele lugar, mas colocou os habitantes no risco de se tornarem escravos de homens brancos que chegarem por lá e não tiverem o bom senso para lidar com a situação. Não falando a verdade colocou-os em uma situação de dominação e inferioridade. Só podem ter contato com Deus aqueles que tiverem a pele branca.
Nossos novos argumentos:

1-Claude Lee mente exatamente para não ir contra as crenças daquele povo, mantendo-se fiel ao seu princípio de não interferir. As crenças de um povo também mudam ao longo dos anos, logo o antropólogo não quis intervir neste processo natural de mudança. Dessa forma, não se colocou como superior tentando inserir normas e conceitos exteriores às vivências deles.
2-O antropólogo era um profissional que seguiu a risca a ética que regia seu ofício, mesmo entrando em conflito com a situação a qual lhe foi imposta, ele agiu certo, caso ele optasse por mudar a visão e o pensamento dos nativos a atitude certa seria mudar-se para ilha e a partir daí mostrar a verdade para eles.
3-Mesmo que os homens brancos venham a habitar por muito tempo um lugar onde a crença do povo seja bem diferenciada da sua, não vai ser dizendo a verdade, que os nativos mudarão imediatamente seus costumes, ou seja, aquilo que acreditam, e durante esses longos anos, outras verdades podem se tornar absolutas ou ainda, serem derrubadas por água abaixo. O antropólogo simplesmente reforçou aquilo que até então, para os nativos era verdade, deixando-os numa situação de legalidade, de convicção, até mesmo de alento, ou ainda conformismo.

O DILEMA DO ANTROPÓLOGO FRANCÊS - PARTE 1

Na Interdisciplina Filosofia da Educação estou participando de um fórum em grupo. Para início da atividade, foi necessária a leitura do texto “O dilema do Antropólogo Francês”.

O meu grupo ficou responsável por DEFENDER a decisão do antropólogo. Tivemos que criar até três argumentos JUSTIFICANDO a decisão dele.
Argumentos apresentados pelo meu grupo após debates:
1-A crença daquele povo era bastante enraizada. Falar a verdade poderia trazer grandes dilemas existenciais porque estaria derrubando um mito, trazendo muitos conflitos e mudança a essência dos envolvidos, logo, o melhor era mentir.
2-Caso comecem a aparecer muitos mensageiros dos Deuses de pele clara, querendo explorar os nativos, talvez fosse chegado à hora de eles próprios, pela experiência, começar a duvidar de suas crenças, portanto não haveria necessidade naquele momento do antropólogo falar a verdade.
3-Como a missão do antropólogo é pesquisar os hábitos dos nativos, ele mente para ganhar credibilidade, mas os próprios nativos parecem duvidar de suas crenças uma vez que questionam o observador, então a vulnerabilidade a que ficariam expostos poderia ser somente um conflito interno do antropólogo.