Em Filosofia da Educação tivemos que interpretar o ensaio do filósofo alemão Theodor Adorno (1903 - 1969) intitulado “Educação após Auschwitz”, que começa com a seguinte frase, expressão de um princípio moral: “Para a educação, a exigência que Auschwitz não se repita é primordial”.
É um texto que alinha moralidade, política e educação a partir deste evento terrível do século XX: o Holocausto. Para analisar este ensaio escrevemos um texto sintético respondendo às seguintes questões:
1) Segundo o texto, o que predispôs os indivíduos a aceitarem o nazismo e a barbárie?
2) Qual é a solução que o autor sugere para evitar que a barbárie se repita?
3) Dê a sua opinião argumentada sobre a referida solução.
INTERPRETAÇÃO DO ENSAIO DO FILÓSOFO ALEMÃO THEODOR ADORNO, INTITULADO “EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ”
Fernanda Beatriz Silva dos Santos
Para Theodor Adorno a educação é um instrumento de formação de pessoas, capaz de proporcionar a auto-reflexão crítica.
Porém, durante o terrível evento do século XX, o Holocausto, a capacidade de refletir sobre as monstruosidades cometidas, era nula. A tendência extremamente poderosa da sociedade abafava qualquer tipo de manifestação contrária as suas atrocidades, permitindo então o aparecimento de uma verdadeira indústria de extermínio.
A humanidade sentindo-se enclausurada em um contexto mais e mais socializado, densamente estruturado, acaba sendo impedida de agir por conta própria. Assim a raiva contra a civilização aumenta de forma brutal e irracional.
Os indivíduos acabam aceitando a barbárie, pois perdem sua identidade e sua capacidade de resistência, praticando os mesmos atos insanos, em nome de quaisquer ideais, nos quais nem precisam acreditar. Homens sem preparo psicológico para a autodeterminação, mas com um forte potencial autoritário, continuarão dizimar populações inteiras.
A aceitação ao nazismo também foi favorecida pela pretensão de que na educação, a disciplina é idealizada através da dureza, ou seja, é através de rituais que causam dor, que o indivíduo é “premiado” por pertencer a uma coletividade.
Indivíduos manipulados também negam no seu íntimo a possibilidade de amar pessoas, mas o que ainda sobrevive nelas é a capacidade de amar coisas materiais. A incapacidade de identificação, a incapacidade de amar suficientemente, foi a principal condição psicológica para que algo como Auschwitz pudesse acontecer.
Para evitar que a barbárie se repita, Adorno sugere:
*conhecer os mecanismos que tornam os homens perseguidores e promover entre eles uma conscientização geral desses mecanismos;
*educar para a auto-reflexão crítica desde a primeira infância;
*favorecer a autonomia, a força para a reflexão, para a autodeterminação, para a não-participação;
* estudar o consciente e o subconsciente da população (formação de grupos educacionais e equipes de voluntários para percorrerem as áreas rurais);
*disciplinar através do esporte;
*entender como se reproduz o caráter manipulativo, para depois pela modificação das condições, evitar o seu reaparecimento;
*tratar bem as crianças, não reprimir seus impulsos, mas sim satisfazê-los e liberá-los.
Com certeza, todas as afirmativas de Adorno, para a referida solução, são pertinentes, porém só poderão ser utilizadas, debatidas ou estudadas, se toda a sociedade conscientizar-se de que tudo o que houve em Auschiwtz foi praticado pela “inteligência” humana, e se somos capazes de duelar entre nós mesmos por não tolerarmos a diversidade racial e cultural, também precisamos usar a nossa força para evitar qualquer tipo de situação abominável e inconcebível.
Tais atitudes planejadas racionalmente, não condizem com tal circunstância! Como se pratica algo que foi planejado racionalmente, se o resultado de tal ação é o sofrimento em massa?
Ainda hoje, o homem busca seu próprio interesse e vai contra os interesses de todos os demais. A individualidade se opõe ao amor que é imediatista, e sendo assim, o “consciente coisificado” se instala naturalmente.
Qualquer tipo de barbárie pode ser evitada mais facilmente se as pessoas, unidas em equipes, somarem suas forças, lutarem por um bem comum.
Na escola podemos e devemos propiciar aos nossos alunos um ambiente onde a sensibilidade, a criatividade, a cooperação, o diálogo, sejam facilitadores de aprendizagens múltiplas, e onde as relações interpessoais favoreçam a valorização das diferenças e o resgate das identidades perdidas.
Para que Auschiwtz não se repita, a sociedade como um todo deve refletir criticamente e filosoficamente, a fim de impedir que atrocidades aconteçam e que apareçam perseguidores “fortes”, “superiores”, capazes de criar possibilidades de novos acontecimentos dantescos.
REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz.

Um comentário:
Olá Fernanda! Como já comentado no webfólio, você traz nesse seu texto, aspectos importantes do ensaio de Adorno. Parabéns pela reflexão.
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