terça-feira, 9 de junho de 2009

ESTÁDIOS DO DESENVOLVIMENTO

Na aula 5 de Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, foi sugerido a leitura de alguns textos a fim de destacarmos as principais características dos estádios de desenvolvimento. O texto básico para esta atividade foi: Epistemologia Genética e Construção do Conhecimento, de Tania B. I. Marques.

ESTÁDIOS DO DESENVOLVIMENTO

Fernanda Beatriz Silva dos Santos

Principais características de cada estádio de desenvolvimento:
Estádio sensório-motor (do nascimento até aproximadamente um ano e meio, dois anos): compreende três etapas: 1) a dos reflexos, 2) a dos hábitos motores e 3) a da inteligência senso-motora ou prática. Na etapa 1, há a coordenação dos reflexos e reações, surgem os reflexos instintivos (sucção, primeiras imitações...). Na etapa 2, a criança forma os primeiros hábitos, pois à partir do resultado dos seus movimentos, ela passa a repetí-los. A etapa 3, caracteriza-se pela exploração, experimentação e modificação do comportamento. A criança centraliza-se no próprio corpo e entre mais ou menos 18 a 24 meses, inicia a capacidade de representação da realidade. Ausência da função semiótica, ou seja, a criança não representa os objetos mentalmente.

Estádio pré-operatório (de aproximadamente um ano e meio até por volta dos sete anos): surgimento da função simbólica (sub-período de preparação das operações concretas), capacidade de representação mental. Predomina o egocentrismo, pois a criança não consegue colocar-se abstratamente no lugar do outro, impedindo-a de estabelecer relações de reciprocidade. Sua percepção abstrata começa a ser aguçada, quando aumenta sua capacidade de imaginar situações, figuras e pessoas semelhantes. Caracteriza-se pelo aparecimento da linguagem, que permite a expressão verbal da representação mental e do pensamento intuitivo.

Estádio operatório-concreto (por volta dos sete até em torno dos doze anos): a criança já tem a capacidade de reversibilidade do pensamento, de realizar ações mentais. Sua compreensão do mundo não é tão prática, pois ainda depende do concreto para realizar abstrações. São construídas as operações lógicas de classificação e seriação, conservações físicas de substância, peso e volume, conservações espaciais de comprimento, área e volume, e conceito de número. A criança vai perdendo o egocentrismo social e intelectual com o avançar da idade.

Estádio operatório-formal (desde cerca de doze anos, perdurando pela vida adulta): o pensamento formal permite: refletir para além do real presente, refletir sobre possibilidades, fazer planos, elaborar “teorias”, construir “sistemas”, pensar sobre o próprio pensamento. Constituem-se instrumentos de verificação experimental que permitem controlar variáveis: dentre um conjunto de fatores poder destacar um, fazendo-o variar e deixando os outros invariantes. Surge a capacidade de formular hipóteses ou capacidade de desligar-se temporariamente da atividade concreta dando prosseguimento à atividade mental mediante um jogo puramente proposicional: é o raciocínio hipotético-dedutivo. Há uma inversão nas relações entre o real e o possível. Cria-se um mundo de possibilidades de cujo conjunto o real é apenas um setor limitado. Os instrumentos oriundos do plano das possibilidades permitem estabelecer relações entre teorias, produzindo nelas transformações.

Na visão Piagetiana, a educação deve possibilitar à criança um desenvolvimento amplo e dinâmico desde o período sensório-motor até o operatório-formal.

REFERÊNCIAS
FERREIRA, Berta Weil e outros. Psicologia Pedagógica. 4ª edição. Sulina.
MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. Aprendizagem na vida adulta.
MARQUES, Tânia Beatriz Iwaszko. Epistemologia genética e construção do conhecimento.
PIAGET, Jean. O desenvolvimento mental da criança.
________http://www.centrorefeducacional.com.br/piaget.html.

Após este trabalho, tivemos que escolher um dos quatro estádios para participar de um fórum. Relacionamos as características dos estádios de acordo com o desenvolvimento dos nossos alunos. E para refletir foi levantada a seguinte questão: A idade de uma pessoa pode ser considerada critério suficiente para sabermos em que período do desenvolvimento intelectual ela se encontra? Por quê?
A partir da idade apenas, não podemos afirmar qual o nível de desenvolvimento em que se encontra uma pessoa. O que nos dirá se um sujeito se encontra em um ou outro período de desenvolvimento, será a sua relação com o objeto do conhecimento, será a sua maneira de pensar, refletida no modo como lida com os problemas da realidade, seja ela interna ou externa. Serão suas características cognitivas que nos mostrarão em que período de desenvolvimento se encontra, e não o inverso.
Para Becker (2001, p.187), o desenvolvimento dá-se na relação com o meio, porém ele é individual. O estádio em que um indivíduo se encontra “é radicalmente individual, não pode, pois, ser confundido com o de nenhum outro indivíduo”.

Um comentário:

Denise_tutora disse...

Olá Fernanda ... após ler a sua postagem observei que conseguiste ressaltar as principais características de cada estágio.
Observação:essa sua postagem já foi comentada em seu webfólio do ROODA pela Profª Tania.
Abraços ensolarados, Denise.