ATIVIDADE PROPOSTA PELA INTERDISCIPLINA DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM SOB O ENFOQUE DA PSICOLOGIA IILeia o texto Significações de Violência na Escola: equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança? de Jaqueline Santos Picetti. Após a leitura, relate uma situação experienciada em sua sala de aula e procure analisá-la teoricamente com base no referencial piagetiano sobre o desenvolvimento moral.
Quando li a afirmação de Jaqueline Picetti de que nós professores temos a impressão que os alunos consideram natural que todos os problemas devam ser resolvidos com atitudes violentas, parecendo ser necessário o sofrimento do outro, lembrei imediatamente da minha prática docente. Tanto para os meus colegas professores e até mesmo para os alunos, já por várias vezes, comentei que as coisas não podem ser resolvidas com base na violência. Muitas vezes “brinco” com as crianças, afirmando, se tudo o que acontece na nossa vida fosse resolvido através da tapas, pontapés, socos, mordidas, como seria viver assim... Dou exemplos aos próprios alunos: já pensaram se vocês precisassem ser chutados para realizarem as atividades em sala de aula? O que poderia acontecer? Em casa, os pais de vocês quando discutem, ficam se agredindo fisicamente?
Ah, a violência não se manifesta só por atos físicos! E aqueles apelidos ou “nomes feios” que as pessoas dizem umas para as outras, resolvem o quê?
Quando surgem desentendimentos entre os alunos, peço que venham até mim e dou a vez de falar para cada um dos envolvidos. São questionados sobre suas atitudes agressivas para que, pelo menos naquele momento, reflitam sobre as suas ações.
São tantas as situações vivenciadas ao longo desses 23 anos de docência... Decisões das mais variadas foram sendo tomadas para esclarecer, elucidar e fazer com que os alunos reflitam...
Algo que sempre deu muito certo nesses últimos anos foi a elaboração de regras (deveres e direitos), partindo das vivências dos alunos. Ou seja, estas regras são estipuladas depois de algum tempo de aula, pois assim as crianças já estão se relacionando num ambiente novo, com pessoas diferentes, e conforme as colocações da professora sobre a padronização de comportamentos sociais, neste período, elas terão algumas noções de convivência em grupo, conseguindo “ver”, o que é certo e o que é errado.
Sugestões dos alunos do 1º ano, para o que chamamos de “combinações da turma”: não gritar, não brigar, fazer o trabalho em silêncio e com capricho, não levantar do lugar a toda hora, usar as palavras mágicas (por favor, obrigado, com licença), não sujar a sala, guardar os brinquedos depois de brincar, fazer fila reta... E a lista vai longe!
Também converso muito com as crianças, dizendo que essas regrinhas estipuladas por toda a turma, devem ser respeitadas. Sendo assim, a aula se desenvolve de uma forma mais tranqüila e com maiores possibilidades de aprendizagens, respeito, cooperação e responsabilidade.
Às vezes, precisamos retomar as combinações para que aqueles alunos que são mais distraídos ou com mais dificuldades de assimilação, possam ser lembrá-las.
O desenvolvimento moral é uma construção diária. Se observarmos todas as reações e atitudes dos nossos alunos, durante as brincadeiras, durante a realização das atividades, ou em qualquer momento, poderemos estimulá-los, ou ainda, provocá-los, no sentido de tentar equilibrar a experimentação com a reflexão em comum.
Respeitar o processo de desenvolvimento moral, não achando mais, certos comportamentos como violentos, mas como característicos de uma determinada fase da construção da autonomia da criança, é uma ação positiva da escola, pois para que o sentimento de justiça se desenvolva, são necessários o respeito mútuo e a solidariedade entre as crianças e os adultos.
Conforme Piaget, nós educadores temos que colaborar no processo de desenvolvimento de nossos alunos, tanto do ponto de vista moral como racional.
Diariamente, na minha turma de 1º ano (alunos de 6-7anos), diferentes situações são vivenciadas, onde o desenvolvimento moral se caracteriza pelas dificuldades encontradas pela criança em se posicionar em relação ao pensamento de outra pessoa, conseguindo pensar apenas a partir do seu ponto de vista.
Por isso, cabe a nós professores “avaliarmos” cada situação vivenciada em sala de aula, como única, pois a construção das noções de justiça, solidariedade, intencionalidade e responsabilidade, incidem no comportamento das crianças de forma peculiar e individual.

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