O que é o Dossiê de Inclusão? http://febeatrizpead.pbworks.com/DOSSI%C3%8A+DE+INCLUS%C3%83O+-+FERNANDA+BEATRIZ
O que é o Dossiê de Inclusão?
ATIVIDADE PROPOSTA PELA INTERDISCIPLINA DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM SOB O ENFOQUE DA PSICOLOGIA II
ATIVIDADE PROPOSTA PELA INTERDISCIPLINA: QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO: SOCIOLOGIA E HISTÓRIA.
A partir das reflexões e leituras dos enfoques temáticos, elabore uma atividade didático-pedagógica, contemplando a diversidade étnica e racial e a desenvolva em duas aulas (08 horas) com a sua turma de alunos. A produção escrita desta tarefa necessitará conter os seguintes itens: a temática, os objetivos, os desdobramentos em sala de aula, os conceitos-chave trabalhados e suas considerações finais sobre o que significou pensar e planejar uma ação educativa com esta abordagem em sua escola. Neste último item é importante que sejam colocadas as percepções e observações surgidas durante o trabalho com os alunos, articulando-as com algumas das contribuições teóricas dos textos e autores lidos para a interdisciplina.
TEMÁTICA: EU NÃO SOU SÓ UMA COR!
TURMA: 1º ANO.
TEMPO DE DURAÇÃO: 8 HORAS
OBJETIVOS:
◘ Reconhecer que todas as pessoas têm deveres e direitos, como cidadãos.
◘ Identificar que características físicas diferentes, tornam o mundo mais bonito.
◘ Reconhecer que o povo brasileiro é o resultado de influências étnicas diferentes.
◘ Desenvolver uma atitude de empatia e solidariedade para com aqueles que sofrem de discriminação.
◘ Valorizar o convívio pacífico e criativo dos diferentes componentes da diversidade cultural.
CONCEITOS - CHAVE: respeito, diversidade, culturas, discriminação, cidadania, deveres e direitos.
DESENVOLVIMENTO:
PRIMEIRO DIA
Trazer para a sala de aula uma professora negra da nossa escola, para juntamente comigo, ser entrevistada pelos alunos. Observação: todas as perguntas formuladas devem ser respondidas por nós duas, a fim de que os alunos possam perceber as diferenças ou semelhanças existentes entre elas.
Se for necessário, tanto a nossa convidada como eu, iremos conduzir alguns questionamentos das crianças, para que não somente as características psicológicas se manifestem, mas também as físicas sejam expostas.
Após a entrevista, os alunos irão desenhar a professora convidada.
Ainda no mesmo trabalho, serão escritas algumas características da professora negra, sejam elas resultantes da entrevista ou observadas pelos alunos implicitamente.
Pedir então para que as crianças me desenhem. Durante esta atividade ir perguntando aos alunos se as professoras desenhadas apresentam características iguais e/ou diferentes, que também serão registradas por escrito.
Expor na sala de aula os trabalhos dos alunos.
Identificando a cor da pele da professora convidada, eis que um diálogo informal se fará presente: quantos alunos negros há em nossa escola? quem tem um (a) amigo (a) negro (a)? quais são as brincadeiras preferidas destas crianças ? onde mais encontramos pessoas negras?
Como tema, as crianças deverão trazer para o dia seguinte, uma foto ou figura de uma pessoa negra e outra de uma pessoa branca, ou de qualquer outra etnia.
SEGUNDO DIA
Colocar todas as imagens trazidas pelos alunos e também pela professora (visto que nem todas as crianças conseguem realizar este tema), em cima das mesas unidas, para que todas elas sejam observadas ao mesmo tempo. Questionar as crianças como as pessoas das fotos estão vestidas, onde elas poderiam estar, o que elas estão fazendo...
Novamente levantar a questão das semelhanças e diferenças encontradas nas fotos e/ou figuras.
Para continuar o trabalho, depois de elencar uma série de características das imagens, ver com as crianças de que forma as figuras trazidas podem ser coladas em uma cartolina, levando em consideração a conclusão obtida, ou se preciso induzida, de que negros e brancos são seres humanos com as mesmas possibilidades de vida.
Espera-se que os alunos decidam colar todas as imagens misturadas, ou seja, sem organizar conforme a cor da pele.
Após o término desta atividade, fazer um convite a todas as turmas para que venham até a nossa sala e observem as produções dos alunos do 1º ANO.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acredito que se eu chegasse a aplicar este planejamento com meus alunos do 1º ANO, tudo transcorreria de uma forma bem tranqüila e com resultados positivos, visto que conheço muito bem a minha turma, apesar de não estar em sala neste momento.
Como em nossa escola, neste ano temos algumas inclusões (crianças com características bem aparentes), meus alunos já começaram a percebê-las, é claro, mas com bastante naturalidade, demonstrando até de uma certa forma, carinho por elas. Em nossa sala de aula, à tarde, no outro 1º ANO, há um cadeirante, e por esse motivo, há para ele uma mesa diferenciada. Informei aos meus alunos que este menino, por ser diferente, precisa de uma mesa que facilite seu aprendizado.
As crianças, nesta idade, são muito observadoras e pouco preconceituosas. Vejo também, que eu, como educadora e cidadã brasileira, preciso observar mais meus alunos para conhecê-los como cidadãos de diferentes etnias, para que eu possa mostrar a todos eles, que somos diferentes sim, e é graças a estas diferenças que o mundo se torna mais rico, mais surpreendente e mais forte.
Qualquer tipo de discriminação precisa ser bem trabalhado com os alunos, pois a qualquer momento podem se deparar com situações não muito comuns.
Tenho muito ainda que aprender sobre a diversidade étnico-racial do meu entorno e principalmente da minha comunidade escolar, para que juntos possamos construir conceitos densos, aprofundados e verdadeiros, que superem os pré-conceitos que, infelizmente, não sei até por quanto tempo, resultam na discriminação.
Em Filosofia da Educação tivemos que interpretar o ensaio do filósofo alemão Theodor Adorno (1903 - 1969) intitulado “Educação após Auschwitz”, que começa com a seguinte frase, expressão de um princípio moral: “Para a educação, a exigência que Auschwitz não se repita é primordial”.
É um texto que alinha moralidade, política e educação a partir deste evento terrível do século XX: o Holocausto. Para analisar este ensaio escrevemos um texto sintético respondendo às seguintes questões:
1) Segundo o texto, o que predispôs os indivíduos a aceitarem o nazismo e a barbárie?
2) Qual é a solução que o autor sugere para evitar que a barbárie se repita?
3) Dê a sua opinião argumentada sobre a referida solução.
INTERPRETAÇÃO DO ENSAIO DO FILÓSOFO ALEMÃO THEODOR ADORNO, INTITULADO “EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ”
Fernanda Beatriz Silva dos Santos
Para Theodor Adorno a educação é um instrumento de formação de pessoas, capaz de proporcionar a auto-reflexão crítica.
Porém, durante o terrível evento do século XX, o Holocausto, a capacidade de refletir sobre as monstruosidades cometidas, era nula. A tendência extremamente poderosa da sociedade abafava qualquer tipo de manifestação contrária as suas atrocidades, permitindo então o aparecimento de uma verdadeira indústria de extermínio.
A humanidade sentindo-se enclausurada em um contexto mais e mais socializado, densamente estruturado, acaba sendo impedida de agir por conta própria. Assim a raiva contra a civilização aumenta de forma brutal e irracional.
Os indivíduos acabam aceitando a barbárie, pois perdem sua identidade e sua capacidade de resistência, praticando os mesmos atos insanos, em nome de quaisquer ideais, nos quais nem precisam acreditar. Homens sem preparo psicológico para a autodeterminação, mas com um forte potencial autoritário, continuarão dizimar populações inteiras.
A aceitação ao nazismo também foi favorecida pela pretensão de que na educação, a disciplina é idealizada através da dureza, ou seja, é através de rituais que causam dor, que o indivíduo é “premiado” por pertencer a uma coletividade.
Indivíduos manipulados também negam no seu íntimo a possibilidade de amar pessoas, mas o que ainda sobrevive nelas é a capacidade de amar coisas materiais. A incapacidade de identificação, a incapacidade de amar suficientemente, foi a principal condição psicológica para que algo como Auschwitz pudesse acontecer.
Para evitar que a barbárie se repita, Adorno sugere:
*conhecer os mecanismos que tornam os homens perseguidores e promover entre eles uma conscientização geral desses mecanismos;
*educar para a auto-reflexão crítica desde a primeira infância;
*favorecer a autonomia, a força para a reflexão, para a autodeterminação, para a não-participação;
* estudar o consciente e o subconsciente da população (formação de grupos educacionais e equipes de voluntários para percorrerem as áreas rurais);
*disciplinar através do esporte;
*entender como se reproduz o caráter manipulativo, para depois pela modificação das condições, evitar o seu reaparecimento;
*tratar bem as crianças, não reprimir seus impulsos, mas sim satisfazê-los e liberá-los.
Com certeza, todas as afirmativas de Adorno, para a referida solução, são pertinentes, porém só poderão ser utilizadas, debatidas ou estudadas, se toda a sociedade conscientizar-se de que tudo o que houve em Auschiwtz foi praticado pela “inteligência” humana, e se somos capazes de duelar entre nós mesmos por não tolerarmos a diversidade racial e cultural, também precisamos usar a nossa força para evitar qualquer tipo de situação abominável e inconcebível.
Tais atitudes planejadas racionalmente, não condizem com tal circunstância! Como se pratica algo que foi planejado racionalmente, se o resultado de tal ação é o sofrimento em massa?
Ainda hoje, o homem busca seu próprio interesse e vai contra os interesses de todos os demais. A individualidade se opõe ao amor que é imediatista, e sendo assim, o “consciente coisificado” se instala naturalmente.
Qualquer tipo de barbárie pode ser evitada mais facilmente se as pessoas, unidas em equipes, somarem suas forças, lutarem por um bem comum.
Na escola podemos e devemos propiciar aos nossos alunos um ambiente onde a sensibilidade, a criatividade, a cooperação, o diálogo, sejam facilitadores de aprendizagens múltiplas, e onde as relações interpessoais favoreçam a valorizaçães interpessoais favoreçam a valorizaçgens msos alunos um ambiente onde a sensibilidade, a criatividade, a cooperaço das diferenças e o resgate das identidades perdidas.
Para que Auschiwtz não se repita, a sociedade como um todo deve refletir criticamente e filosoficamente, a fim de impedir que atrocidades aconteçam e que apareçam perseguidores “fortes”, “superiores”, capazes de criar possibilidades de novos acontecimentos dantescos.
REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz.