segunda-feira, 31 de agosto de 2009

COMO SERÁ?

A cada novo semestre, parece que estamos começando tudo de novo.
Ansiedade, insegurança, medo de não dar conta do recado... Mas neste mix de sentimentos também não faltam a perseverança, a coragem, a determinação e principalmente a alegria de poder olhar para trás e constatar que, apesar de muitos altos e baixos presentes nos semestres anteriores, consegui chagar ao 7º semestre do curso de Pedagogia à Distância, da UFRGS.
Se Deus quiser, assim como eu quero também, neste semestre não precisarei me afastar do meu trabalho e nem pretendo realizar as minhas atividades com atrasos.
Também gostaria de externar aqui a minha surpresa e uma certa decepção, quando ao vislumbrar os meus conceitos, dar de cara com um C na Interdisciplina Seminário Integrador VI.
Desde o início do curso, em 2006, até esse último momento de avaliação, é o primeiro conceito que me deixou desanimada. Quando recebemos algum conceito maior em alguma interdisciplina na qual não imaginamos, é muito bom! Porém, quando a espera é de pelo menos um conceito B, a situação muda de figura.
Mas, viver de passado não é inteligente, visto que o meu presente depende muito de mim, depende de uma entrega pessoal com responsabilidades, pois não sendo assim, meu futuro poderá ficar comprometido.
Estou bem interessada em descobrir através das Interdisciplinas Educação de Jovens e Adultos no Brasil e Língua Brasileira de Sinais - Libras, tudo aquilo que desconheço até este momento, pois como educadora, devo estar por dentro de tudo a que se refere às minhas práticas pedagógicas.
Que esta nova etapa transcorra com tranquilidade para todos nós: alunas e aluno, tutores e professores.


"O que as vitórias têm de mau, é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom, é que também não são definitivas." (José Saramago)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

DOSSIÊ DE INCLUSÃO

NA INTERDISCIPLINA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS, CONSTRUÍMOS UM DOSSIÊ DE INCLUSÃO.

O que é o Dossiê de Inclusão?
O dossiê de inclusão visa contribuir para a busca de sentido na produção de conhecimentos no transcorrer de nossos estudos. Este documento busca a completude de suas descobertas em que o respeito às singularidades será respeitado na medida em que cada aluno (a) será encorajado à reflexão e a sistematização de suas experiências num formato original capaz de apontar para as conquistas individuais.
Unidade 1 - Retrospectiva Histórica da Educação Especial
Unidade 2 - Políticas Públicas Brasileiras em Educação Especial e o Projeto Político - Pedagógico da Educação Inclusiva
Unidade 3 - Serviços de Atendimento Educacional Especializado
Unidade 4 - Deficiência Física
Unidade 5 - Autismo
Unidade 6 - Deficiência Mental
Breve análise histórica da educação especial. A LDBEN 1996 e a inclusão dos alunos com necessidades educacionais no ensino regular. Avanços na legislação brasileira e as dificuldades estruturais no contexto do ensino no país. Conceitos e princípios pedagógicos da educação inclusiva: principais conceitos; a identificação do aluno com necessidades especiais; o processo de ensino-aprendizagem com alunos com necessidades especiais; as adaptações curriculares de pequeno e grande porte; avaliação, progressão e terminalidade escolar; a inserção no trabalho.

LINK DO DOSSIÊ:
http://febeatrizpead.pbworks.com/DOSSI%C3%8A+DE+INCLUS%C3%83O+-+FERNANDA+BEATRIZ

quarta-feira, 15 de julho de 2009

ATIVIDADE DIDÁTICO-PEDAGÓGICA - 2ª PARTE: REVISÃO TEÓRICA SOBRE A PRÁTICA


Quando falei com os alunos que iríamos convidar uma professora da escola para entrevistarmos, eles acharam o máximo!
Então decidimos fazer um convite por escrito. As crianças sugeriram a seguinte frase: “A nossa turma 1A1 quer entrevistar você.”
Todos escreveram os seus nomes no convite, isto é, assinaram como eles disseram.
No dia que a professora Isabel (que é negra), veio à nossa sala de aula, as crianças estavam um pouco tímidas, mas somente até o momento de começarem a fazer as perguntas.
Foram feitas perguntas sobre diversos assuntos. As iniciais foram: Tu é casada? Quantos filhos tu tem? Quantos anos tu tem? Como é o nome dos teus filhos? E do teu marido? Tu gosta de dar aula? Onde tu mora? Pra que turma tu dá aula? E outras mais...
Para lembrar: todas as perguntas feitas para a professora Isabel, também eram respondidas por mim.
Então, a professora entrevistada começou a interagir um pouco mais com as crianças, perguntando à elas, se eu e ela nos parecíamos. Ou seja, o que nós duas tínhamos de semelhante ou diferente.
Aí, eles foram dizendo que ela era mais alta do que eu, que o meu cabelo era mais comprido que o dela, que as nossas roupas eram bonitas, que eu uso óculos e ela não, e finalmente chegamos onde eu queria: que a pele dela era marrom forte e que a minha era marrom fraco.
Neste momento, perguntei a eles se a nossa convidada era loira, e claro que eles disseram que não; perguntei se ela era morena, e aí ouvi a maioria dizendo que sim, e poucos dizendo que não. Questionei então esta minoria, perguntando: Se a professora Isabel não é loira e nem morena, como ela é? E a minoria em uníssono respondeu: negra. A professora Isabel aprovou a resposta, dizendo: realmente eu sou negra e a morena e a professora Fernanda.
Após este momento, as crianças desenharam a nossa convidada, que ainda permanecia em nossa sala.
Todos desenharam a professora do seu jeitinho, e enquanto faziam esta atividade, alguns perguntaram de que cor era para pintar a pele dela. A própria professora Isabel respondia: Pra ficar mais parecido comigo, dá para pintar com o lápis de cor marrom.
Depois dos desenhos prontos, a nossa entrevistada agradeceu pelo convite, dizendo aos alunos que tinha sido uma honra ser entrevistada por crianças tão inteligentes!
Na mesma folha do desenho, os alunos copiaram do quadro, algumas características referentes à professora Isabel, ditas por eles mesmos: querida, bonita, feliz.
Fizeram a mesma atividade, desenhando-me. As minhas características foram: linda, inteligente e divertida.
Depois de prontos, os trabalhos foram expostos na sala.
Sentamos então numa rodinha, sobre o tapete, e fui perguntando às crianças:
Quantos alunos negros há em nossa escola? Resposta da maioria: não sei.
Quem tem um (a) amigo (a) negro (a)? Dos 22 alunos, 6 afirmaram que tinham.
Quais são as brincadeiras preferidas destas crianças (negras)? Bola, boneca, carrinho, que nem a gente!
Onde mais vocês já viram pessoas negras? Na televisão, perto da minha casa, em todo lugar!
No dia seguinte, colocamos sobre as mesas as imagens (pedidas no tema). Trazidas pelas crianças e por mim.
Observamos todas elas e fui fazendo perguntas: como as pessoas das figuras estavam vestidas, onde elas poderiam estar, se elas estavam tristes ou alegres...
Depois de ouvir as suas opiniões, fomos colar as imagens trazidas, em uma cartolina. Perguntei: Como vamos colar estas imagens? Podem ser todas misturadas? Todos concordaram. Colamos todas as figuras: muitas de brancos, algumas de negros e somente uma de índio.
Convidamos então, as outras turmas da escola para que viessem na nossa sala de aula, ver as produções dos alunos.
Foi bem bacana observar e ouvir o que as outras turmas diziam ao verem os desenhos feitos pela turma 1A1. Os desenhos foram colocados de forma intercalada, ou seja, um desenho da professora negra, um desenho da professora branca, e assim sucessivamente.
Ouvi de uma criança da 3ª série: Eu nunca desenhei uma pessoa dessa cor. (apontando para o desenho da professora negra).
Durante estes dois dias de trabalho, percebi que existem sim pessoas preconceituosas: na minha turma, nas outras turmas, em qualquer lugar.
Como é importante poder falar abertamente sobre a discriminação, a fim de levantar a auto-estima de qualquer cidadão, independente de como ele é.
Trabalhar com a diversidade racial, deve se tornar um exercício permanente nas escolas, não apenas em datas comemorativas, quando na verdade, muitas vezes não há o que se comemorar.
Seria incrível, se um dia, todos juntos, pudéssemos comemorar que a discriminação, o preconceito, a exclusão, foram exterminados!
Toda criança precisa ter segurança, quanto a sua identidade. Ela precisa ver-se como um cidadão com os mesmos direitos e deveres, como os de qualquer indivíduo.
Todas as pessoas têm o direito de sonhar, mas hoje ainda vemos, infelizmente, que quem mais consegue realizá-los, são os brancos. Por que será?
Onde está a democracia?
Nós, educadores, temos que ser criativos e sensíveis para podermos atender as essências contidas nas vozes dos alunos afro-brasileiros.
Temos que resgatar em nossos alunos, de todas as etnias, sua ancestralidade, para que assim possam se orgulhar de sua origem e manifestarem-se livremente ao longo da sua caminhada histórica.
COMPLEMENTO

Quando os meus alunos começaram a listar uma série de características minhas e da professora negra entrevistada, uma que me chamou a atenção foi quando disseram que a pele da professora Isabel era marrom forte e que a minha era marrom fraco. Neste momento, as crianças começaram a falar da cor da suas peles. Uma aluna bem moreninha, disse que em sua família tinha pessoas com pele marrom forte, e por isso ela era bem morena. Então, ela se deu por conta, que na mesma família, as pessoas podem ter cor de peles diferentes.
Acredito que todos os alunos precisam ter consciência de sua ancestralidade, pois como afirma Mundurucu “quando a gente se percebe continuador de uma história, nossa responsabilidade cresce e o respeito pela história do outro também.” Esta afirmação pode ser considerada como um facilitador das aprendizagens dos alunos, pois quando há o respeito mútuo, as pessoas, independentes de sua cultura, etnia, religião, adquirem mais conhecimentos, pois se sentem mais seguros ao exporem suas idéias.
Durante a visita dos alunos de outras turmas, à nossa sala, uma criança da 3ª série, disse: “Eu nunca desenhei uma pessoa desta cor.” (apontou para o desenho da professora negra).
Parece que esta criança vive num mundo diferente daquele que realmente conhecemos, mas que precisa, ainda, ser reinventado constantemente por povos sedentos pela afirmação de suas identidades.
Como diz Gersen dos Santos Luciano, Baniwa: “não existe cultura estática e pura, ela é sempre o resultado de interações e trocas de experiências e modos de vida entre indivíduos e grupos sociais.”
Ao perguntar para os alunos, quais são as brincadeiras preferidas das crianças negras, eles citaram: bola, boneca, carrinho, que nem a gente.
Marilene Leal Paré diz que “os sentimentos e o mundo vivido por essas crianças dão subsídios à instituição escolar para o seu tendão de Aquiles e podem torná-la mais competente no desenvolvimento afetivo e da identidade, no planejamento de um currículo no qual esteja presente o esquema de pensamento de origem africana libertando-se do processo eugênico impingido à sociedade brasileira e existente na educação. Esta constatação vem de encontro com o “que nem a gente”, dito pelas crianças, sendo assim cabe à nós professores, também entender as diversas culturas; começando pela nossa, que constituem o povo brasileiro, para desmistificar a intolerância ainda muito aferida, aos indivíduos de uma mesma sociedade.

domingo, 21 de junho de 2009

DESENVOLVIMENTO MORAL

ATIVIDADE PROPOSTA PELA INTERDISCIPLINA DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM SOB O ENFOQUE DA PSICOLOGIA II
Leia o texto Significações de Violência na Escola: equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança? de Jaqueline Santos Picetti. Após a leitura, relate uma situação experienciada em sua sala de aula e procure analisá-la teoricamente com base no referencial piagetiano sobre o desenvolvimento moral.
Quando li a afirmação de Jaqueline Picetti de que nós professores temos a impressão que os alunos consideram natural que todos os problemas devam ser resolvidos com atitudes violentas, parecendo ser necessário o sofrimento do outro, lembrei imediatamente da minha prática docente. Tanto para os meus colegas professores e até mesmo para os alunos, já por várias vezes, comentei que as coisas não podem ser resolvidas com base na violência. Muitas vezes “brinco” com as crianças, afirmando, se tudo o que acontece na nossa vida fosse resolvido através da tapas, pontapés, socos, mordidas, como seria viver assim... Dou exemplos aos próprios alunos: já pensaram se vocês precisassem ser chutados para realizarem as atividades em sala de aula? O que poderia acontecer? Em casa, os pais de vocês quando discutem, ficam se agredindo fisicamente?
Ah, a violência não se manifesta só por atos físicos! E aqueles apelidos ou “nomes feios” que as pessoas dizem umas para as outras, resolvem o quê?
Quando surgem desentendimentos entre os alunos, peço que venham até mim e dou a vez de falar para cada um dos envolvidos. São questionados sobre suas atitudes agressivas para que, pelo menos naquele momento, reflitam sobre as suas ações.
São tantas as situações vivenciadas ao longo desses 23 anos de docência... Decisões das mais variadas foram sendo tomadas para esclarecer, elucidar e fazer com que os alunos reflitam...
Algo que sempre deu muito certo nesses últimos anos foi a elaboração de regras (deveres e direitos), partindo das vivências dos alunos. Ou seja, estas regras são estipuladas depois de algum tempo de aula, pois assim as crianças já estão se relacionando num ambiente novo, com pessoas diferentes, e conforme as colocações da professora sobre a padronização de comportamentos sociais, neste período, elas terão algumas noções de convivência em grupo, conseguindo “ver”, o que é certo e o que é errado.
Sugestões dos alunos do 1º ano, para o que chamamos de “combinações da turma”: não gritar, não brigar, fazer o trabalho em silêncio e com capricho, não levantar do lugar a toda hora, usar as palavras mágicas (por favor, obrigado, com licença), não sujar a sala, guardar os brinquedos depois de brincar, fazer fila reta... E a lista vai longe!
Também converso muito com as crianças, dizendo que essas regrinhas estipuladas por toda a turma, devem ser respeitadas. Sendo assim, a aula se desenvolve de uma forma mais tranqüila e com maiores possibilidades de aprendizagens, respeito, cooperação e responsabilidade.
Às vezes, precisamos retomar as combinações para que aqueles alunos que são mais distraídos ou com mais dificuldades de assimilação, possam ser lembrá-las.
O desenvolvimento moral é uma construção diária. Se observarmos todas as reações e atitudes dos nossos alunos, durante as brincadeiras, durante a realização das atividades, ou em qualquer momento, poderemos estimulá-los, ou ainda, provocá-los, no sentido de tentar equilibrar a experimentação com a reflexão em comum.
Respeitar o processo de desenvolvimento moral, não achando mais, certos comportamentos como violentos, mas como característicos de uma determinada fase da construção da autonomia da criança, é uma ação positiva da escola, pois para que o sentimento de justiça se desenvolva, são necessários o respeito mútuo e a solidariedade entre as crianças e os adultos.
Conforme Piaget, nós educadores temos que colaborar no processo de desenvolvimento de nossos alunos, tanto do ponto de vista moral como racional.
Diariamente, na minha turma de 1º ano (alunos de 6-7anos), diferentes situações são vivenciadas, onde o desenvolvimento moral se caracteriza pelas dificuldades encontradas pela criança em se posicionar em relação ao pensamento de outra pessoa, conseguindo pensar apenas a partir do seu ponto de vista.
Por isso, cabe a nós professores “avaliarmos” cada situação vivenciada em sala de aula, como única, pois a construção das noções de justiça, solidariedade, intencionalidade e responsabilidade, incidem no comportamento das crianças de forma peculiar e individual.


CONCEPÇÕES DE ÍNDIO

Conhecer alguns aspectos dos povos indígenas brasileiros, através do que eles próprios dizem sobre si e proporcionar o conhecimento do modo de vida dos povos indígenas do Rio Grande do Sul, foi o que a Interdisciplina Questões Étnico-Raciais nos proporcionou através da seguinte atividade:
Ler, o texto “Os Índios no Brasil: quem são e quantos são”, escrito pelo representante do povo Baniwa, Gersen dos Santos Luciano.
Destacar as idéias principais e explicar como e por que se constituíram as contradições que seguem: índios X povos indígenas / generalização X identidade étnica. Sugerir formas de desfazer pré-conceitos que predominam ao se falar de povos indígenas.

OS ÍNDIOS NO BRASIL / QUEM SÃO E QUANTOS SÃO.
Para definir quantos índios habitam o Brasil, são utilizados diferentes métodos. Sendo assim, a obtenção de dados reais torna-se mais difícil.
Existem povos indígenas brasileiros que não foram contabilizados porque atualmente residem nas cidades ou em terras indígenas ainda não demarcadas ou reconhecidas, e por estarem ainda em vias de reafirmação étnica após anos de dominação e repressão cultural.
Por pressões políticas, econômicas e religiosas ou por terem sido despojados de suas terras e estigmatizados em função dos seus costumes tradicionais, os povos indígenas foram forçados a esconder e a negar suas identidades tribais como estratégia de sobrevivência.
Os primeiros habitantes do continente americano receberam o nome “índio”, porque, Cristóvão Colombo, em 1492, empreendeu uma viagem rumo às Índias, e devido às más condições climáticas, sua frota ficou à deriva, e ao alcançar uma região, imaginou que fossem as Índias.
Todos os habitantes nativos encontrados neste continente foram considerados como um só povo: os índios. Mas na verdade, cada índio pertence a um povo, a uma etnia identificada por uma denominação, como o Guarani, o Yanomami...
Mantendo-se a denominação de índio ou indígena, como uma identidade, promove-se a união de povos historicamente distintos e rivais na luta por direitos e interesses comuns.
A multiplicidade de formas de vida coletiva e individual é a principal marca do mundo indígena.
Enquanto a denominação índio ou indígena era negada pelos povos indígenas, as identidades étnicas particulares também eram negadas ou reprimidas. Ser chamado de índio era uma ofensa, pois caracterizava um ser inferior ou cultura inferior. Por isso, desde a década de 1950, uma parcela da população Baniwa foi substituindo a língua baniwa pela língua nheengatu ou língua geral, que era considerada uma língua de pessoas civilizadas, dos ditos caboclos ( aqueles que negavam sua origem nativa, mas que por não poder ainda se reconhecer como branco, se identificavam com o mais próximo possível do branco).
No início da década de 1980, começaram a ser valorizados os povos que falavam suas línguas originárias e praticavam suas tradições. O processo de reafirmação das identidades étnicas resultou na recuperação da auto-estima dos povos indígenas.
Graças ao fenômeno da etnogênese, os povos indígenas começaram a buscar o reconhecimento de suas etnicidades e de suas territorialidades.
A nova estratégia de aliança política pan-indígena leva à construção de uma unidade política articulada de povos culturalmente distintos, na defesa de seus direitos e interesses comuns.
Ser índio é ser cidadão brasileiro, é ter sua cultura valorizada, é ter consciência étnica, é representar uma expressão sócio-cultural importante do país.
Resgatando suas culturas e tradições, os povos indígenas estão resgatando principalmente a sua própria identidade. As novas gerações indígenas querem entrar e fazer parte da modernidade, garantindo um espaço social e identitário, onde haja a interação consciente com outras culturas que leve à valorização de si mesmo.
É preciso conscientizar os brasileiros de que muitos povos indígenas têm como prioridade fortalecer sua identidade e promover a valorização e a continuidade de suas culturas, de suas tradições, de seus saberes.
Esclarecer as pessoas menos informadas no que diz respeito à imagem pejorativa e preconceituosa de índio veiculada ao longo de séculos, pela escola e pelos meios de comunicação de massa, cada vez se faz mais necessário.
Não existe cultura estática e pura. Ela é sempre o resultado de interações e trocas de experiências de vida entre indivíduos e grupos sociais. Então, quanto mais diferenças possuírem as pessoas envolvidas, mais conhecimentos poderão ser adquiridos.
Aprendi muito com a leitura deste texto. Ele foi muito esclarecedor e informativo. Quando aluna, nunca gostei das aulas de História. Acredito que os meus professores, nessa época, também não tinham os devidos esclarecimentos sobre a situação dos índios, quando o território habitado por eles foi invadido e colonizado.
A História do Brasil, a partir de hoje, será contada por mim de uma forma mais substancial, no que diz respeito à real condição do índio brasileiro e à sua história de vida.
Os povos indígenas contribuíram e continuam contribuindo com sua cultura, seus conhecimentos e crenças únicas.
Conviver com indivíduos e grupos sociais culturalmente distintos, é uma prática de vida que precisa ser diariamente estudada, interpretada e adquirida, pois assim a intolerância e a violência entre povos serão superadas, dando lugar a incalculáveis e riquíssimos aprendizados.
Um povo, como os indígenas, que reassume e recria suas tradições, não pode ser considerado como inferior, pois esta não é uma tarefa fácil. A discriminação racial ainda existe, e para enfrentar de frente esta situação, é preciso muita determinação e consciência moral, social e política.
Será que os “brancos” seriam tão persistentes como os indígenas, ao defenderem seus costumes, suas tradições, suas histórias de vida?
REFERÊNCIAS
Texto extraído do Livro “O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje” - Brasília, 2006.
Autor: Gersen dos Santos Luciano - Baniwa
Site: http:// www.trilhasdeconhecimentos.etc.br/

ATIVIDADE DIDÁTICO-PEDAGÓGICA - 1ª PARTE

ATIVIDADE PROPOSTA PELA INTERDISCIPLINA: QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO: SOCIOLOGIA E HISTÓRIA.

A partir das reflexões e leituras dos enfoques temáticos, elabore uma atividade didático-pedagógica, contemplando a diversidade étnica e racial e a desenvolva em duas aulas (08 horas) com a sua turma de alunos. A produção escrita desta tarefa necessitará conter os seguintes itens: a temática, os objetivos, os desdobramentos em sala de aula, os conceitos-chave trabalhados e suas considerações finais sobre o que significou pensar e planejar uma ação educativa com esta abordagem em sua escola. Neste último item é importante que sejam colocadas as percepções e observações surgidas durante o trabalho com os alunos, articulando-as com algumas das contribuições teóricas dos textos e autores lidos para a interdisciplina.

Texto sugerido para leitura, como base para o trabalho: Era uma vez uma menina muito bonita: Uma prática pedagógica relacionada com a questão racial em uma turma de alfabetização, de Luicane Andréia Ribeiro Leite.

1ª etapa: planejamento e apresentação da proposta da prática

TEMÁTICA: EU NÃO SOU SÓ UMA COR!

TURMA: 1º ANO.

TEMPO DE DURAÇÃO: 8 HORAS

OBJETIVOS:

◘ Reconhecer que todas as pessoas têm deveres e direitos, como cidadãos.

◘ Identificar que características físicas diferentes, tornam o mundo mais bonito.

◘ Reconhecer que o povo brasileiro é o resultado de influências étnicas diferentes.

◘ Desenvolver uma atitude de empatia e solidariedade para com aqueles que sofrem de discriminação.

◘ Valorizar o convívio pacífico e criativo dos diferentes componentes da diversidade cultural.

CONCEITOS - CHAVE: respeito, diversidade, culturas, discriminação, cidadania, deveres e direitos.

DESENVOLVIMENTO:

PRIMEIRO DIA

Trazer para a sala de aula uma professora negra da nossa escola, para juntamente comigo, ser entrevistada pelos alunos. Observação: todas as perguntas formuladas devem ser respondidas por nós duas, a fim de que os alunos possam perceber as diferenças ou semelhanças existentes entre elas.

Se for necessário, tanto a nossa convidada como eu, iremos conduzir alguns questionamentos das crianças, para que não somente as características psicológicas se manifestem, mas também as físicas sejam expostas.

Após a entrevista, os alunos irão desenhar a professora convidada.

Ainda no mesmo trabalho, serão escritas algumas características da professora negra, sejam elas resultantes da entrevista ou observadas pelos alunos implicitamente.

Pedir então para que as crianças me desenhem. Durante esta atividade ir perguntando aos alunos se as professoras desenhadas apresentam características iguais e/ou diferentes, que também serão registradas por escrito.

Expor na sala de aula os trabalhos dos alunos.

Identificando a cor da pele da professora convidada, eis que um diálogo informal se fará presente: quantos alunos negros há em nossa escola? quem tem um (a) amigo (a) negro (a)? quais são as brincadeiras preferidas destas crianças ? onde mais encontramos pessoas negras?

Como tema, as crianças deverão trazer para o dia seguinte, uma foto ou figura de uma pessoa negra e outra de uma pessoa branca, ou de qualquer outra etnia.

SEGUNDO DIA

Colocar todas as imagens trazidas pelos alunos e também pela professora (visto que nem todas as crianças conseguem realizar este tema), em cima das mesas unidas, para que todas elas sejam observadas ao mesmo tempo. Questionar as crianças como as pessoas das fotos estão vestidas, onde elas poderiam estar, o que elas estão fazendo...

Novamente levantar a questão das semelhanças e diferenças encontradas nas fotos e/ou figuras.

Para continuar o trabalho, depois de elencar uma série de características das imagens, ver com as crianças de que forma as figuras trazidas podem ser coladas em uma cartolina, levando em consideração a conclusão obtida, ou se preciso induzida, de que negros e brancos são seres humanos com as mesmas possibilidades de vida.

Espera-se que os alunos decidam colar todas as imagens misturadas, ou seja, sem organizar conforme a cor da pele.

Após o término desta atividade, fazer um convite a todas as turmas para que venham até a nossa sala e observem as produções dos alunos do 1º ANO.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acredito que se eu chegasse a aplicar este planejamento com meus alunos do 1º ANO, tudo transcorreria de uma forma bem tranqüila e com resultados positivos, visto que conheço muito bem a minha turma, apesar de não estar em sala neste momento.

Como em nossa escola, neste ano temos algumas inclusões (crianças com características bem aparentes), meus alunos já começaram a percebê-las, é claro, mas com bastante naturalidade, demonstrando até de uma certa forma, carinho por elas. Em nossa sala de aula, à tarde, no outro 1º ANO, há um cadeirante, e por esse motivo, há para ele uma mesa diferenciada. Informei aos meus alunos que este menino, por ser diferente, precisa de uma mesa que facilite seu aprendizado.

As crianças, nesta idade, são muito observadoras e pouco preconceituosas. Vejo também, que eu, como educadora e cidadã brasileira, preciso observar mais meus alunos para conhecê-los como cidadãos de diferentes etnias, para que eu possa mostrar a todos eles, que somos diferentes sim, e é graças a estas diferenças que o mundo se torna mais rico, mais surpreendente e mais forte.

Qualquer tipo de discriminação precisa ser bem trabalhado com os alunos, pois a qualquer momento podem se deparar com situações não muito comuns.

Tenho muito ainda que aprender sobre a diversidade étnico-racial do meu entorno e principalmente da minha comunidade escolar, para que juntos possamos construir conceitos densos, aprofundados e verdadeiros, que superem os pré-conceitos que, infelizmente, não sei até por quanto tempo, resultam na discriminação.



Todo ser humano deve ser respeitado independentemente da cor da sua pele. Ser branco, negro, amarelo ou vermelho, não significa que uma pessoa seja melhor ou pior do que a outra. Significa apenas que temos sim, características físicas diferentes.
Todas as pessoas têm direitos, mas para viver em sociedade também é exigido ao cidadão que ele cumpra certas regras, que são os deveres. Respeitar as outras pessoas, suas escolhas e suas opiniões, é uma de nossas obrigações. Discriminar alguém, seja qual for a razão, é considerado crime e pode ser até motivo de prisão.

EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ

Em Filosofia da Educação tivemos que interpretar o ensaio do filósofo alemão Theodor Adorno (1903 - 1969) intitulado “Educação após Auschwitz”, que começa com a seguinte frase, expressão de um princípio moral: “Para a educação, a exigência que Auschwitz não se repita é primordial”.

É um texto que alinha moralidade, política e educação a partir deste evento terrível do século XX: o Holocausto. Para analisar este ensaio escrevemos um texto sintético respondendo às seguintes questões:

1) Segundo o texto, o que predispôs os indivíduos a aceitarem o nazismo e a barbárie?

2) Qual é a solução que o autor sugere para evitar que a barbárie se repita?

3) Dê a sua opinião argumentada sobre a referida solução.


INTERPRETAÇÃO DO ENSAIO DO FILÓSOFO ALEMÃO THEODOR ADORNO, INTITULADO “EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ”

Fernanda Beatriz Silva dos Santos

Para Theodor Adorno a educação é um instrumento de formação de pessoas, capaz de proporcionar a auto-reflexão crítica.

Porém, durante o terrível evento do século XX, o Holocausto, a capacidade de refletir sobre as monstruosidades cometidas, era nula. A tendência extremamente poderosa da sociedade abafava qualquer tipo de manifestação contrária as suas atrocidades, permitindo então o aparecimento de uma verdadeira indústria de extermínio.

A humanidade sentindo-se enclausurada em um contexto mais e mais socializado, densamente estruturado, acaba sendo impedida de agir por conta própria. Assim a raiva contra a civilização aumenta de forma brutal e irracional.

Os indivíduos acabam aceitando a barbárie, pois perdem sua identidade e sua capacidade de resistência, praticando os mesmos atos insanos, em nome de quaisquer ideais, nos quais nem precisam acreditar. Homens sem preparo psicológico para a autodeterminação, mas com um forte potencial autoritário, continuarão dizimar populações inteiras.

A aceitação ao nazismo também foi favorecida pela pretensão de que na educação, a disciplina é idealizada através da dureza, ou seja, é através de rituais que causam dor, que o indivíduo é “premiado” por pertencer a uma coletividade.

Indivíduos manipulados também negam no seu íntimo a possibilidade de amar pessoas, mas o que ainda sobrevive nelas é a capacidade de amar coisas materiais. A incapacidade de identificação, a incapacidade de amar suficientemente, foi a principal condição psicológica para que algo como Auschwitz pudesse acontecer.

Para evitar que a barbárie se repita, Adorno sugere:

*conhecer os mecanismos que tornam os homens perseguidores e promover entre eles uma conscientização geral desses mecanismos;

*educar para a auto-reflexão crítica desde a primeira infância;

*favorecer a autonomia, a força para a reflexão, para a autodeterminação, para a não-participação;

* estudar o consciente e o subconsciente da população (formação de grupos educacionais e equipes de voluntários para percorrerem as áreas rurais);

*disciplinar através do esporte;

*entender como se reproduz o caráter manipulativo, para depois pela modificação das condições, evitar o seu reaparecimento;

*tratar bem as crianças, não reprimir seus impulsos, mas sim satisfazê-los e liberá-los.

Com certeza, todas as afirmativas de Adorno, para a referida solução, são pertinentes, porém só poderão ser utilizadas, debatidas ou estudadas, se toda a sociedade conscientizar-se de que tudo o que houve em Auschiwtz foi praticado pela “inteligência” humana, e se somos capazes de duelar entre nós mesmos por não tolerarmos a diversidade racial e cultural, também precisamos usar a nossa força para evitar qualquer tipo de situação abominável e inconcebível.

Tais atitudes planejadas racionalmente, não condizem com tal circunstância! Como se pratica algo que foi planejado racionalmente, se o resultado de tal ação é o sofrimento em massa?

Ainda hoje, o homem busca seu próprio interesse e vai contra os interesses de todos os demais. A individualidade se opõe ao amor que é imediatista, e sendo assim, o “consciente coisificado” se instala naturalmente.

Qualquer tipo de barbárie pode ser evitada mais facilmente se as pessoas, unidas em equipes, somarem suas forças, lutarem por um bem comum.

Na escola podemos e devemos propiciar aos nossos alunos um ambiente onde a sensibilidade, a criatividade, a cooperação, o diálogo, sejam facilitadores de aprendizagens múltiplas, e onde as relações interpessoais favoreçam a valorizaçães interpessoais favoreçam a valorizaçgens msos alunos um ambiente onde a sensibilidade, a criatividade, a cooperaço das diferenças e o resgate das identidades perdidas.

Para que Auschiwtz não se repita, a sociedade como um todo deve refletir criticamente e filosoficamente, a fim de impedir que atrocidades aconteçam e que apareçam perseguidores “fortes”, “superiores”, capazes de criar possibilidades de novos acontecimentos dantescos.


THEODOR ADORNO (1903 - 1969)

REFERÊNCIAS

ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz.