domingo, 21 de junho de 2009

FILME: O CLUBE DO IMPERADOR

Como atividade na Interdisciplina Filosofia da Educação, tivemos que assistir ao filme "O Clube do Imperador" e escrever um texto de acordo com o seguinte roteiro:

1. Descreva uma cena do filme onde o professor está diante de um conflito moral.
2. Descreva o conflito moral e a solução que o professor escolhe.
3. Identifique os princípios morais envolvidos nesta decisão.
4. Avalie a decisão do professor: foi uma decisão moralmente correta ou não, por quê?

FILME ASSISTIDO: “O CLUBE DO IMPERADOR”

TEXTO

Fernanda Beatriz Silva dos Santos

O filme “O Clube do Imperador”, conta a história do colégio interno St. Benedict’s, freqüentado por rapazes da alta sociedade americana, onde leciona William Hundert , um conceituado professor, apaixonado pela História Antiga. Nesse ambiente, Hundert não se preocupa somente com a educação dos alunos, mas também com o caráter, a boa conduta e a honra. Dá lições de moral para serem aprendidas, e faz isso através do estudo de filósofos gregos e romanos.

Todo o ano acontece no colégio, a clássica competição cultural, organizada por Hundert, intitulada o “Clube do Imperador”. A competição consiste numa disputa entre os alunos da classe, onde primeiramente realizam provas escritas, e numa segunda etapa, respondendo às perguntas oralmente.

Na turma do professor Hundert, seus alunos são muito promissores, o que o anima a realizar um trabalho de qualidade. Porém, com a chegada de Sedgewick Bell, um aluno arrogante e prepotente, filho de um senador, o professor busca a mudança do caráter do mesmo e procura ganhar a sua confiança, convencendo-o que ele é capaz.

Para a competição, apenas só os três melhores alunos podiam participar da grande final.

Quando o professor, em seu escritório, passa a corrigir as produções de seus alunos, com questões relativas à História Greco-Romana, fica em dúvida na hora de dar a nota ao aluno Bell, pois acreditou que este seria o momento de recompensá-lo. Apesar de seu desinteresse, mas admitindo sua inteligência, o professor apostava que o futuro do rapaz seria brilhante. Eis que o professor se vê diante de um conflito moral.

A dúvida deu lugar então a uma certeza: alterar a nota de Bell, para que assim ficasse entre os três melhores. O professor queria colocar este aluno no caminho certo, porém ao dar esta chance, abalou-se de uma certa forma, ao excluir da competição um aluno dedicado que poderia ser aclamado o “Senhor Júlio César”. Neste momento, o professor praticamente esqueceu-se de sua conduta ética.

Ao tomar esta decisão, a frase dita regularmente pelo professor “o caráter de um homem é o seu destino”, não pode ser atribuída a ele, pois agora, na prática, o seu próprio caráter se comprometeu, visto que, a injustiça, a honestidade, a ética, a dignidade, a fidelidade, são princípios morais que sempre foram primordiais em todos os aspectos da sua vida.

A decisão tomada pelo professor não foi moralmente correta, porque ao dar uma oportunidade a um aluno desinteressado e rebelde, negligenciou uma atitude ética, pois negou ao verdadeiro vencedor, os louros da vitória. Ele foi contra os seus princípios, forjando uma classificação no concurso. Ele desviou-se de seu caráter reto, e percebendo que não conseguia mudar o caráter do aluno, desencadeou-se um conflito interno, sobre o que é certo e o que é errado.

Apesar de ter passado por duas grandes decepções, o professor continuou sua jornada lecionando com amor e ciente de que qualquer pessoa pode aprimorar o seu caráter, se estiver convivendo com pessoas justas e íntegras, na escola e principalmente na família.

Acredito também, que nós educadores, podemos sim cair na mesma armadilha em que caiu o professor Hunder. Tentamos acertar sempre, mas como somos frágeis criaturas em constantes transformações, nada é mais natural do que continuar tentando e errando, tentando e tentando, tentando e acertando...

Ficamos conhecendo a estrutura básica do argumento moral, através do Dilema do Antropólogo Francês, Claude Lee, e à partir deste conhecimento, analisamos os aspectos envolvidos nas decisões do professor William Hudert.

Um comentário:

Gláucia Henge disse...

Olá Fernanda! Sua reflexão, a partir do filme, sobre a vivência do professor, é bastante interessante, especialmente quando afirma que, passível de erro, cabe ao educador continuar tentando... Fica a questão: como tentar? como não reicindir nos mesmos erros por "permanecer tentando"?